A ETERNA ESPERA

Envelheci, chorando a tua espera.
Passava o inverno, entrava a primavera,
E eu, cada vez mais lírico e sozinho,
Esperando na curva do caminho,
Que a tua sombra viesse mansamente,
Na tarde quieta ou na manhã nascente,
Enguirlandada de festões de rosas.
Mas cansei de atirar as mãos ansiosas,
De levantar os braços aos espaços
Para que Deus te conduzisse os passos
De encontro a mim que tanto te esperava.
Anoitecia e eu desesperançava.
Mas quando no alto, obscura e pequenina,
Uma estrela surgia entre a neblina,
Eu com o lenço acenava, e ela dizia:
“Espera! E outra mais longe repetia:
“Espera! Até que o luar também me dava nova esperança:
“Espera! E eu esperava.
Envelheci na aspiração que tinha
De esperar esse amor que nunca vinha.
E um dia quando menos esperava,
Senti que a terra se transfigurava;
Rio, fonte, cachoeira e vale e serra…
O céu para abençoar baixando à terra,
E o sol para aquecer, descendo ao vale
E o vento uivando para que se cale tudo em redor…
Era um milagre!
Um cheiro novo a fundir-se à flor do jasmineiro;
Um canto novo à voz dos passarinhos.
Chegaste meu amor! pelos caminhos
Que pisei dia e noite, à chuva e ao vento,
Abrem-se as flores num deslumbramento,
Rasgam-se, lado a lado os horizontes…
Para te ver as árvores dos montes,
Descem vestidas de folhagens novas,
E o vento canta comovidas trovas.
E eu, de braços cansados pela espera,
Outono ante o esplendor da primavera,
Vendo e sentindo a exuberância louca,
Dos teus cabelos e de tua boca,
De joelho caio, examine e covarde…
Chegaste meu amor, mas Muito tarde!

Autor: Olegário Mariano

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