O CANTINHO ONDE NASCI.

Voltando ao interior,
Pra minha terra rever.
Orgulhei-me do sertão,
Ainda mais, por lá eu nascer.
Lá vi o verde das matas,
A flora do cafezal.
Ouvi o murmúrio da cascata,
Vi o cachear do arrozal.
Lembrei-me então que na cidade,
Nunca vi tanta beleza.
Nem mesmo um lindo amanhecer,
O encanto da natureza.

Ao ver a casa de madeira,
Feita com tanta humildade.
Toda coberta de sapê
Lembrei-me então da cidade.
Das colunas de concreto
Que formam casas e pontes.
Dos enormes viadutos
Ligando cidades e montes.
Confesso que nesta hora
Meu peito apertou de desgosto.
E duas lágrimas frias
Senti rolarem em meu rosto.

Os passarinhos cantavam
Anunciando um novo dia.
Pulando de galho em galho
Irradiando alegria.
Logo, por detrás de uma serra
Um vermelhão aparecia.
Era o raiar do sol
Que radiante surgia.
Então, comigo eu pensava:
Por que destruir tudo isto?
Construindo sobre as serras
Os enormes edifícios!

Sei que o progresso é feito
À custa de destruição.
São as cidades que se alastram
Destruindo o meu sertão.
Aquele que com grandes máquinas
Destrói as matas e as roças.
Perdoe-me, mas com certeza
Nunca morou numa palhoça.
Nunca sentiu como eu
O que é trabalhar no sertão.
Para dar comida àqueles
Que não põem as mãos no chão.

O encanto do meu sertão
Nem se compara à cidade.
Ali, convivemos com a natureza
A maior preciosidade.
Cidade é só correria.
Projetos e construção.
Homens morrendo de infarto
Por tanto agitação.
Mas quando chegar o meu dia
Pra que eu morra feliz.
Quero morrer no sertão;
O cantinho onde nasci.

Aparecido Queiroz.

Solo de viola: Daniel Viola.

One thought on “O CANTINHO ONDE NASCI.

  1. Nossa, que poema lindo!!!
    Sentir no pensamento as palavras aqui escritas é inevitável. Deu até para sentir o aroma de um cafezinho com o nascer avermelhado do sol.
    Adorei!!! Parabéns!!!

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