POBRES

“ Aí vem pelos caminhos

Descalços, de pés no chão.

Os pobres que andam sozinhos,

Implorando compaixão.

Vivem sem cama e sem teto,

Na fome e na solidão:

Pedem um pouco de afeto,

Pedem um pouco de pão.

 

São tímidos? São covardes?

Têm pejo? Tem Confusão?

Parai quando os encontrardes,

E daí-lhes a vossa mão!

Guiai-lhes, os tristes passos!

Daí-lhes sem, sem hesitação!

O apoio de vossos braços,

Metade do vosso pão.

 

Não receeis que, algum dia,

Vos assalte a ingratidão:

O prêmio está na alegria,

Que tereis no coração.

Protegeis os desgraçados,

Órfãos de toda a afeição.

E sereis abençoados,

Por um pedaço de pão”.

 

 

OLAVO BILAC

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